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Violência doméstica e violência sexual em tempos de pandemia. Redes de apoio e denúncias: você não está sozinha!

No dia 14 de agosto de 2020, na sede municipal de São Gabriel da Cachoeira (AM), foi lançada a cartilha “Violência doméstica e violência sexual em tempos de pandemia. Redes de apoio e denúncias: você não está sozinha”. Este material é produto de um projeto colaborativo de pesquisa e extensão da Faculdade de Saúde Pública da USP com o Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN), o Instituto Socioambiental (ISA) e o Observatório da Violência de Gênero no Amazonas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O projeto intitulado Violência, Gênero e Mulheres Indígenas no Rio Negro tem como objetivo avançar na produção de conhecimento sobre, e a partir, da “violência contra mulheres indígenas”, e ao mesmo tempo favorecer processos locais de formação e de fortalecimento de redes de cuidado.

A cartilha recentemente lançada foi produzida com a iniciativa e coordenação da mestranda em saúde pública Dulce Morais (FSP/USP). Na sua elaboração participaram a Dra. Grace Jardim, delegada de Polícia de São Gabriel da Cachoeira, a antropóloga Carla Dias (ISA), a presidente do Conselho Tutelar Dayane Franco, e diversas mulheres indígenas residentes na região do Alto Rio Negro, além das coordenadoras do DMIRN, Elizângela da Silva (da etnia Baré) e Janete Alves (da etnia Desana). Também contou com a participação de Matheus Ribeiro (@o.ribs), que realizou a ilustração e de Wellington Siqueira (@wellsiqueira) que trabalhou na diagramação do material.

Essa cartilha recolhe resultados preliminares do projeto de pesquisa Violência, Gênero e Mulheres Indígenas no Rio Negro e foi motivada pelo aumento do número de denúncias sobre violência doméstica em São Gabriel no período de resguardo em função da pandemia de Covid-19.

É necessário lembrar que há apenas o Hospital de Guarnição coordenado pelo Estado do Amazonas e o Exército Brasileiro na cidade. Os pacientes que apresentam quadro grave em decorrência da Covid-19 têm sido transferidos para a capital amazonense, localizada a aproximadamente 850 km de distância. De acordo com o último boletim (28/08) da Secretaria Municipal de Saúde da cidade, 3.878 pessoas já foram infectadas com o vírus; 20 pessoas estão sendo monitoradas; outras 54 pessoas foram a óbito e quatro estão internadas, sendo três delas em Manaus.

A cartilha tem o intuito de informar e reforçar as redes de apoio que as mulheres têm em São Gabriel. Sendo assim, o material é produzido a partir da realidade do Rio Negro, em diálogo com mulheres indígenas locais e apresenta de forma simples orientações sobre o que ocorre quando uma mulher, uma criança ou um adolescente informa uma violência sofrida e
como podem ser apoiados nesse processo de denúncia. Para download da cartilha acesse o acervo do Instituto Socioambiental no link:

https://acervo.socioambiental.org/acervo/publicacoes-isa/violencia-domestica-e-violenciasexual-em-tempos-de-pandemia-redes-de-apoio

O lançamento aconteceu na Casa do Saber da FOIRN em São Gabriel e contou com a presença e participação de representantes de instituições locais como as Jovens Guerreiras, a Pastoral da Criança, a Secretaria Municipal de Educação, o Conselho Tutelar, entre outras. Já no dia 20 de agosto foi realizada uma roda de conversa em uma live do #casafloresta:
“Mulheres Indígenas contra a violência doméstica e de gênero em São Gabriel da Cachoeira (AM)”. Este evento, que contou com a participação de algumas das idealizadoras deste material, apresentou um rápido panorama da impressionante intervenção política das mulheres indígenas da região na intersecção de vulnerabilidades produzida pelas marcas de racismo da história colonial, a violência de gênero e a pandemia de Covid-19. A live está
disponível no canal youtube do Instituto Socioambiental através do link:

Esse trabalho também foi divulgado no boletim de áudio da Rede Wayuri de Comunicação Indígena do Rio Negro, sistema regional de comunicação e informação radiofônica e digital da FOIRN. Em um programa dedicado à cartilha, foi reconstruída a trajetória da sua produção e sintetizadas as conexões práticas entre a pandemia e a violência doméstica. Esse programa pode ser encontrado aqui:

https://soundcloud.com/wayuri-audio/boletim-wayuri-programa-49-cartilha-violenciadomestica-e-sexual

Juntas, as mulheres de São Gabriel da Cachoeira se mobilizam contra os cenários críticos que se apresentam a elas, seja em relação à violência de gênero ou em relação à pandemia de Covid-19. Além do trabalho de produção e distribuição da cartilha e tantos outros que vêm sendo realizados, as mulheres da FOIRN também se articulam contra a pandemia por meio da campanha “Rio Negro, nós cuidamos!” arrecadando e distribuindo alimentos e produtos de higiene para as famílias residentes do município e das comunidades indígenas. Desta forma, procuram evitar que as pessoas transitem entre a cidade e as terras indígenas, prevenindo a circulação do vírus. Para conhecer e doar, acesse o site: https://noscuidamos.foirn.org.br/

Da parte da FSP/USP o projeto Gênero, Violência e Mulheres Indígenas no Rio Negro é coordenado pelo professor José Miguel Nieto Olivar, conta com o apoio de um auxílio regular Fapesp (Processo 2019/01714-3) e mobiliza pesquisadores do Laboratório de Hibridação Científico-Política em Saúde Pública (LaHibrid) e do Coletivx de Pesquisa em Antropologia e Saúde (CPaS-1), ambos filiados ao Departamento de Saúde, Ciclos de Vida e
Sociedade. A professora Flávia Melo (UFAM), a bolsista de iniciação científica e graduanda em Saúde Pública Danielle Ichikura, e Dulce Morais, fazem parte da equipe de pesquisa.

Publicado em 01/09/2020

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