A Vida através da Latitude
Claudia R.C Moreno, PhD é Chefe do Departamento de Saúde, Ciclos de vida e Sociedade da Faculdade de Saúde Pública da USP. Com estudos do sono humano no Equador, na selva amazónica e sobre o círculo ártico para lutar contra os segredos do comportamento saudável. Membro do Working Group of the IARC-WHO Monographs on the carcinogenicity or night shift work.
Os primeiros humanos apareceram em uma região da África, com mais ou menos, 10 graus de latitude, onde havia aproximadamente 12 horas de luz natural e 12 horas de escuridão ao longo de todo o ano. Com passar do tempo, nossa espécie descobriu outras regiões e, consequentemente, foi exposta à largas variações de luz e escuridão com o passar das estações do ano. Nosso sistema interno de tempo – o ritmo cardíaco – mecanicamente sincronizou-se psicologicamente com os períodos de mudanças dos ambientes. Isto ajudou torna-se possível para os humanos sobreviver em diferentes latitudes sobre diferentes balanços de luz e escuridão.
A variação sazonal em parâmetros do sono tem sido estudada em altas atitudes, onde a luz natural varia tremendamente durante o ano. É claro, latitudes extremas possuem uma maior redução de luz natural durante o inverno. A baixa quantidade de luz exposta está associada sensação de insuficiência do sono e a mudanças de humor, que incluindo episódios depressivos durante o período de menor luz natural. Durante o rigoroso inverno do extremo norte do planeta, nós observamos maior atrasos para início do sono, e mais sonolência, em comparação com o verão. Pode parecer contra intuitivo, uma vez que o verão é associado, normalmente, a idas para cama mais tardias.
Embora a curta exposição à luz natural é a regra geral durante o inverno em altitudes extremas, o mesmo padrão pode ocorrer em regiões equatoriais quando horas de trabalho confinam pessoas em lugares sem exposição à luz solar. Em outras palavras, independentemente da latitude pessoas podem ter uma experiência insatisfatória de sono pela falta de exposição à luz solar. Mesmo os trabalhadores noturnos que durante o dia precisam dormir dentro de suas casas, assim evitando a exposição. Uma larga redução da exposição à luz natural pode causar distúrbios ao ritmo cardíaco, resultando em um desalinhamento com o ciclo luz-escuro, problemas sociais e maior fonte de arrastamento ambiental. Entre os trabalhadores do turno da noite, esse desalinhamento crônico tem sido associado ao câncer de mama e próstata, e doenças cardiovasculares e metabólicas.
A maior exposição à luz artificial e a redução da exposição à luz natural representa um risco duplo à saúde. A falta de luz natural atrasa o início do sono, apesar da iluminação da luz elétrica à noite.
Por outro lado, há provas convincentes de que a utilização de dispositivos LED perto da hora de dormir – Smartphones, computadores portáteis, tablets – também contribui para o atraso no início do sono, devido ao seu curto comprimento de onda, perfil de emissão de luz azul. O problema é predominante nas zonas urbanas, que veem uma maior utilização destes dispositivos, juntamente com uma cultura noturna de atividade social. De facto, os dados mostram claramente uma duração de sono mais curta e um início de sono mais tardio nos habitantes das cidades, em comparação com os seus homólogos rurais. O estudo de comunidades em diferentes latitudes e níveis de urbanização – o nosso foco de investigação – pode ajudar a delinear os fatores de risco subjacentes a um conjunto distinto de distúrbios do sono, transtornos mentais e doenças físicas.